Transmitida a 14 de junho, a reportagem cruzou os rostos de antigos e atuais bolseiros com os números de uma instituição que há 67 anos faz da educação uma das suas causas.
Os números da Fundação Rotária Portuguesa contam-se aos milhares, mas as histórias que os compõem contam-se uma a uma: a de Inês, que troca São João da Madeira pelo Porto todas as manhãs para frequentar o primeiro ano de Medicina; a de Daniel, hoje engenheiro informático, que estudou sem precisar de trabalhar ao fim de semana; a de João Rufino, médico em Abrantes, bolseiro desde o ensino secundário até ao último ano do curso. A reportagem que a RTP transmitiu a 14 de junho deu-lhes voz para mostrar o que, à primeira vista, não se vê: o efeito de uma bolsa de estudo no percurso de quem a recebe.
Para os três, o apoio significou poder ser estudante a tempo inteiro. «Posso focar-me nos estudos e não ter de pensar em como pagar as propinas ou os materiais», resume Inês, que tem pela frente um dos cursos mais longos do ensino superior.
Mas a bolsa não é apenas desafogo financeiro; é também um compromisso que motiva. «Fui escolhido por pessoas que me conheciam da minha zona», admite João Rufino. A observação aponta para o que distingue o modelo da FRP: os bolseiros são propostos pelos clubes rotários.
João Calado, Presidente da Comissão Executiva da Fundação Rotária Portuguesa, situa estes percursos num quadro mais vasto. «Nestes 67 anos de atividade, a Fundação Rotária Portuguesa já atribuiu apoios a mais de 17 mil iniciativas», na sua larga maioria bolsas de estudo. Só no ano rotário de 2025-2026, concedeu 510 apoios, entre bolsas e projetos dos clubes, num total de 483 334,65 euros, dos quais 367 450 correspondem às 487 bolsas atribuídas nos dois distritos rotários do país.
«Vivemos dos donativos dos rotários portugueses e dos patrocinadores dos projetos», lembrou Deolinda Nunes, Presidente do Conselho de Administração da FRP, que descreve o programa em termos que ultrapassam a contabilidade: «Entendemo-lo como serviço público, como um dos nossos legados.» A procura, acrescentou, não tem parado de crescer.
Da longa lista de bolseiros, João Calado guarda um episódio que o marcou: «uma mãe subir ao palco e, com as lágrimas nos olhos, dizer-me ‘o senhor não sabe a diferença que esta bolsa faz para o meu filho’ poder prosseguir estudos no ensino superior, porque eu com esta bolsa consigo pagar-lhe as propinas’», relatou o Presidente da Comissão Executiva da FRP.
Por trás de cada número há um rosto como o da Inês, do Daniel ou do João. Fiel ao Ideal de Servir que está na sua origem, a Fundação Rotária Portuguesa mantém o apoio à educação como um dos eixos centrais da sua ação.








