A jovem astrobióloga inicia em dezembro um estágio no Centro Europeu de Astronautas, em Colónia, Alemanha, onde criará uma base de dados espetroscópica para apoiar futuras missões espaciais. Antiga bolseira do Rotary Club de Santarém e da Fundação Rotária Portuguesa durante todo o Ensino Superior, regressou à sua cidade para falar sobre a procura de vida nas luas geladas.
A partir de dezembro, a cientista portuguesa Madalena Nunes vai trabalhar no Centro Europeu de Astronautas (European Astronaut Centre – EAC) da Agência Espacial Europeia (ESA), em Colónia, na Alemanha. O lugar que conquistou numa das principais instituições científicas mundiais centra-se num domínio específico da exploração do Sistema Solar: o desenvolvimento de novos métodos para identificar vestígios de vida fora da Terra.
No estágio que agora começa, Madalena Nunes irá criar uma base de dados de espetros e desenvolver novas metodologias laboratoriais. A base de dados permitirá treinar modelos analíticos capazes de reconhecer bioassinaturas e compostos orgânicos com maior eficácia. Esta será uma ferramenta fundamental para futuras missões espaciais, tanto tripuladas como não tripuladas, ou aplicáveis, por exemplo, ao estudo de meteoritos.
Antes de rumar a Colónia, a investigadora esteve no passado dia 27 de outubro na sede do Rotary Club de Santarém, onde apresentou uma sessão dedicada à «Deteção de Bioassinaturas e Compostos Orgânicos em Luas Geladas». Perante a comunidade escalabitana, explicou como se procuram indicadores químicos e biológicos em ambientes extremos do Sistema Solar e deu a conhecer uma área do conhecimento que se afirmou rapidamente. Como a própria cientista nota, há alguns anos, poucas pessoas fora do meio académico sabiam o que era a Astrobiologia.

O estágio na Agência Espacial Europeia é mais uma etapa num percurso académico exigente que Madalena Nunes pretende continuar a aprofundar. Motivada pelos seus sonhos e com o incentivo dos professores, a jovem tem já nos seus planos o doutoramento e, posteriormente, um pós-doutoramento.

Fora do laboratório, a investigadora dedica parte do seu tempo à divulgação científica e colabora regularmente em sessões de observação astronómica noturna, traduzindo conceitos complexos da ciência espacial para o grande público. A própria cientista defende que o rigor da investigação beneficia do contacto com outras áreas do saber e considera importante manter interesses fora da esfera profissional. Filha de pais ligados às Belas-Artes, cresceu num ambiente familiar que lhe abriu os horizontes culturais e mantém na expressão artística uma das suas atividades habituais.
O trabalho individual e a confiança de quem apoia
A entrada na Agência Espacial Europeia resulta diretamente do mérito académico e da capacidade de trabalho de Madalena Nunes. Quando lhe pedem um conselho para outros jovens estudantes, a astrobióloga aponta o foco e a definição clara de metas como determinantes:
«É importante acreditarmos em nós mesmos. Sei que é um cliché, mas acaba por ser verdade. É fundamental seguirmos os nossos sonhos, fazer o que gostamos e com objetivos concretos, mantendo a dedicação e o foco.»
Para que esse esforço individual não esbarrasse em barreiras económicas durante a formação universitária, a investigadora contou, ao longo de todo o ensino superior, com uma bolsa de estudo atribuída pela Fundação Rotária Portuguesa em articulação com o Rotary Club de Santarém. Madalena Nunes sublinha que, quando um jovem acredita em si próprio e trabalha com objectivos definidos, surgem também instituições dispostas a acreditar nele, manifestando-se grata ao clube rotário da sua cidade e à FRP por terem confiado nas suas capacidades.

No Rotary Club de Santarém, clube fundado em 1963 e atualmente com 34 membros, o percurso científico de Madalena Nunes foi recebido com entusiasmo. Em nota divulgada, o clube presidido por Rui Brito salienta que «ver o percurso extraordinário da Madalena Nunes reafirma o valor e o impacto real do nosso apoio aos jovens talentos da comunidade», enquadrando a sessão do passado dia 27 no lema «Unir o Clube, Inspirar a Comunidade e Criar Impacto!».
O programa de bolsas da Fundação Rotária Portuguesa
O acompanhamento do percurso universitário de Madalena Nunes insere-se na atividade regular da Fundação Rotária Portuguesa. Instituída há 67 anos pelos rotários portugueses e reconhecida como entidade coletiva de utilidade pública, a FRP tem na educação e no auxílio à juventude escolar uma das suas principais áreas de ação.
Em articulação com os Clubes Rotários dos Distritos 1960 e 1970, a Fundação mantém anualmente várias modalidades de bolsas de estudo para alunos do Ensino Secundário e do Ensino Superior. No ano rotário de 2025–2026, este programa abrangeu cerca de cinco centenas de estudantes em todo o país e, para o 2026–2027, o orçamento da instituição destina 384 mil euros à continuidade dos apoios. No seu Plano de Atividades, a Fundação definiu também como prioridade estreitar o contacto com os seus antigos bolseiros (alumni).
A par das bolsas de estudo regulares, a FRP atribui anualmente dez Bolsas de Mérito dos Fundadores (indicadas por clubes sorteados), as bolsas de mérito académico Casal Melich e Teixeira Lopes para o melhor bolseiro de cada Distrito Rotário, e apoia o seu Concurso de Canto Lírico. Estes apoios são assegurados pelos donativos regulares dos rotários portugueses através dos seus clubes, pelos parceiros locais, pelos donativos ao abrigo da Lei do Mecenato e pela consignação fiscal de 1% do IRS.




