Uma intervenção de fundo nas duas frações comerciais da Fundação Rotária Portuguesa, em Coimbra, permitiu reverter um estado avançado de degradação física, captar investimento privado em benfeitorias e acolher uma actividade de cariz formativo, plenamente consonante com os fins estatutários da Instituição.
O espaço em causa, no Bairro Solum, esteve durante vários anos arrendado a um estabelecimento que funcionava como talho. Após a rescisão do respectivo contrato pelo anterior arrendatário, a vistoria às frações revelou um estado de degradação extrema que inviabilizava qualquer nova colocação no mercado de arrendamento sem obras profundas de restauro.
O imóvel apresentava patologias estruturais e funcionais graves. A cobertura, em chapa zincada, exibia um adiantado estado de oxidação e perfurações que deixavam penetrar a luz exterior e causavam infiltrações, situação agravada por caleiras e algerozes deteriorados e de secção manifestamente insuficiente. No interior, as paredes revestidas a azulejo mantinham-se frias e húmidas, ao passo que as lajes de pavimento em cimento patenteavam fissuras pronunciadas. A este quadro somavam-se instalações sanitárias dotadas de louças obsoletas e canalização deficiente, incapazes de conter a projeção contínua de odores.

Articulação com proprietários vizinhos e mecenas suporta 80% do investimento
Concluídas a consulta de mercado e a criteriosa análise das propostas orçamentais pela Comissão Executiva, a FRP avançou para a contratação da solução mais adequada dos pontos de vista técnico e económico: a substituição integral da cobertura por painéis isotérmicos do tipo sandwich, acompanhada pelo aumento substancial da secção de caleiras e algerozes.
Dado que a cobertura intervencionada é partilhada com frações contíguas, a FRP articulou com os proprietários vizinhos a extensão dos benefícios da obra. Este entendimento, aliado à contribuição de mecenas, permitiu angariar cerca de 80% do investimento direto na cobertura, reduzindo a um montante residual o esforço financeiro próprio da Fundação.
Novo arrendatário investe 30 mil euros na recuperação do espaço
Com a colocação do imóvel no mercado, e ultrapassada a desistência de um primeiro interessado antes da assinatura contratual, a Fundação estabeleceu acordo com um novo operador comercial. Desta forma, o interesse institucional surge acautelado: longa duração, estipulação de renda progressiva e a garantia formal de reversão de quaisquer benfeitorias para o património da FRP.
Ao abrigo do contrato outorgado, o novo arrendatário assumiu e realizou integralmente obras de recuperação, isolamento e acabamentos no valor de 30 mil euros. Esta solução, que permitiu reabilitar o edificado com um reduzido encargo direto para a Fundação, traduziu-se numa valorização imediata do imóvel além de assegurar uma fonte estável e duradoura de rendimento.

Espaço passa a acolher centro de explicações
O espaço onde anteriormente operava o talho deu assim lugar a um centro de explicações, dotado de adequadas condições funcionais e de conforto.
Para além de suscitar um desgaste substancialmente menor no imóvel do que a actividade precedente, o acolhimento de uma estrutura vocacionada para o apoio pedagógico sintoniza-se de forma direta com o objeto da Fundação Rotária Portuguesa no domínio da educação e formação da juventude.

O processo teve início durante o mandato da anterior Comissão Executiva da FRP, presidida por João Calado, que definiu o planeamento técnico e executou a estratégia negocial da operação. A atual Comissão Executiva, sob a presidência de Manuel Bastos Pinto, assegurou o respeito pelo princípio da continuidade institucional.





















