AJUDEM-NOS A AJUDAR... CONTRIBUINDO PARA A FUNDAÇÃO ROTÁRIA PORTUGUESA
Caras Companheiras e Caros Companheiros,
Iniciamos hoje uma comunicação trimestral da Comissão Executiva da Fundação Rotária Portuguesa (FRP), destinada a aproximar a Fundação dos clubes rotários e de todos os rotários portugueses.
Por ser o atual Presidente da sua Comissão Executiva, deram-me a primazia de assinar esta primeira edição. Com as limitações próprias de um principiante nestas lides, vou tentar expressar as minhas ideias e preocupações, sempre balizadas pelos princípios, objetivos estatutários e regulamentares em vigor na nossa Fundação.
Não vos vou falar do historial da Fundação, dos propósitos dos seus fundadores, nem das realizações levadas a cabo nestas quase sete décadas de existência. São temas por demais debatidos, por vezes mais por paixão do que racionalidade, sem atender à voragem dos tempos ou às mudanças dos sinais recebidos da sociedade.
Vou falar-vos do que podemos fazer agora, com os instrumentos que temos e dos meios que possuímos.
Tenho a felicidade de ser presidente de uma comissão experiente, coesa e motivada para fazer coisas bem feitas em prol da nossa Fundação. Na gestão administrativa e promoção de imagem, tenho colaboradores proativos e diligentes, capazes de abraçarem os desafios que o futuro nos coloque. Em suma, uma equipa preparada.
Na retaguarda, tenho um Conselho de Administração interventivo, um Conselho Fiscal atento, um Conselho de Curadores solidário e um Conselho de Presidentes ávido por novas realizações.
Todos sabemos, que a FRP desempenha um papel relevante na promoção da educação dos jovens, procurando acessoriamente, apoiar iniciativas dos clubes que respondam a necessidades concretas das suas comunidades.
O apoio da juventude escolar continua a ser o principal foco da ação da nossa Fundação, e assim continuará a ser, nomeadamente através do apoio a Bolsas de Estudo comparticipadas e financiadas.
As bolsas de estudo constituem uma forma importante de apoio à formação dos jovens estudantes portugueses, contribuindo para o seu desenvolvimento pessoal e académico. Mas os apoios por eles recebidos do Estado, são insuficientes para responder a todas as suas necessidades, como relatado todos os dias na comunicação social.
Os apoios do Estado são transversais e impessoais, traduzidos em números e estatísticas.
É aqui, que a nossa Fundação desempenha um papel fundamental, congregando as iniciativas dos clubes rotários, que nas suas comunidades, sabem melhor que ninguém perscrutar e distinguir, aqueles jovens que tendo os mesmos sonhos dos demais, mas que por serem provenientes de famílias de baixos recursos, não os poderão realizar, se não houver uma mão amiga que os ajude a concretizar os seus objetivos. Os apoios públicos são essenciais, mas inevitavelmente traduzem-se em critérios, números e estatísticas. Os clubes rotários, pelo contrário, conhecem as pessoas, as suas histórias e os seus desafios. É por isso que os nossos apoios têm rosto, nome e impacto direto na vida daqueles que mais necessitam.
É esse o papel que tão bem fazem os nossos clubes rotários, dando ao destino dos apoios, um Rosto.
Como dito atrás, a FRP também ajuda os clubes rotários na gestão de projetos totalmente financiados, e em menor escala sendo parceira em projetos comparticipados. Neste caso, desde que enquadrados nas áreas de enfoque regulamentares e em que sejam manifestamente evidentes os benefícios para as comunidades.
Somos um instrumento valioso que os clubes têm à disposição, para dar suporte fiscal aos patrocínios que angariam, ultrapassando as dificuldades legais que os clubes/associações enfrentam por não possuírem estatuto de utilidade pública. Como exemplo, assinalo a valiosa intervenção da FRP aquando da tempestade Kristin.
Esse conforto e benefício fiscal, é para as empresas, o impulso para a decisão de conceder ou não o patrocínio.
Seja nas Bolsas ou nos Projetos, o objetivo da Fundação é produzir benefícios duradouros, preparando e projetando a capacidade dos jovens do futuro, ou colmatando necessidades locais cuja satisfação é urgente.
A FRP pode transformar recursos em oportunidades e dar respostas concretas a situações concretas. Vantagens nem sempre mensuradas ou entendíveis como gostaríamos. Os apoios concedidos através da Fundação, ultrapassam a dimensão meramente financeira, representam uma aposta nos jovens e nas comunidades, gerando uma sociedade mais solidária e participativa, capaz de criar oportunidades para diferentes gerações.
Toda esta função e objetivos da FRP, entroncam com o lema deste ano rotário, “Crie Impacto Duradouro”.
Toda esta motivação e até paixão, se desmoronam se não tivermos recursos. Digo mesmo com mágoa, que a Fundação Rotária Portuguesa, um projeto fundacional para todos os rotários portugueses, está lentamente, mas inexoravelmente, a deixar de o ser.
Tenham as razões que tiverem, os rotários portugueses devem voltar a olhar para a FRP, como a sua Fundação.
Se são questões de princípios ou de orientação, discutam-nas no seu seio, participando nos fóruns próprios. A FRP sempre foi uma entidade democrática, ostentando com orgulho na sua bandeira a Ordem de Mérito, atribuída pelo respeito que os poderes instituídos certificaram, em reconhecimento dos benefícios da sua existência e modo de atuação.
Se são apenas questões financeiras, peço que reflitam o vosso posicionamento. O contributo anual de cada rotário representa um valor muito reduzido quando comparado com o impacto que pode gerar. Cada contribuição ajuda a transformar recursos em oportunidades concretas para jovens e comunidades.
Após alguns anos de dificuldades, a Fundação recuperou a estabilidade financeira, com contas controladas nos últimos dois exercícios. Esse rigor e controlo, são propósitos de que eu e a minha Comissão não abdicaremos. A FRP tem os seus custos fixos encolhidos ao máximo, mas tem uma estrutura com um potencial enorme.
A FRP é uma organização plenamente operacional, em que cada euro de uma nova doação, é um euro para uma nova ação.
Como sabem, entrou neste ano rotário em vigor um Novo Regulamento de Candidaturas. A sua divulgação tem sido profusamente difundida, seja através de informação dirigida aos Presidentes e Secretários dos Clubes, seja através da sua inserção no site da Fundação Rotária Portuguesa.
É um Regulamento que para além da simplificação de processos, procura ser mais claro e justo, procurando adequar o valor dos apoios ao valor das doações regulares de cada clube. Dessa forma, será possível ter uma execução orçamental mais transversal e distributiva, abrangendo um maior número de clubes.
No passado dia 1 de outubro, abriu o período de candidaturas que se prolongará até ao próximo dia 30 de novembro. Temos em fase de implementação uma plataforma digital de candidaturas, mas por uma questão prudencial, vamos neste mandato manter um processo dual: digital e com recurso a formulário.
Até ao fim do mês, abrirá um processo de testes, e se tudo correr bem como esperamos, os clubes serão brevemente chamados a fazerem parte deste processo.
A Fundação Rotária Portuguesa continuará a ser tão forte quanto maior for o empenho dos rotários portugueses.
Contamos convosco para que, juntos, possamos continuar a criar impacto duradouro na vida dos jovens e das comunidades que servimos.
Saudações rotárias,
Coimbra, outubro de 2026
Manuel Bastos Pinto
(Presidente da CE/FRP)




